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Quase 50 mil mulheres foram assassinadas no Brasil em 10 anos, revela Atlas da Violência

Atualizado: 20 de fev.

Um dado alarmante revela a gravidade da violência de gênero no Brasil: quase 50 mil mulheres foram assassinadas entre 2012 e 2022. O levantamento faz parte do Atlas da Violência 2024, divulgado em 18 de junho pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).


O estudo expõe uma realidade dolorosa e persistente — marcada por desigualdade, omissão e vulnerabilidade das mulheres diante da violência letal.



Um cenário de guerra silenciosa


De acordo com o relatório, entre 2012 e 2022 foram registrados 49.675 homicídios de mulheres no país. Isso significa, em média, uma mulher morta a cada duas horas. Os números mostram não apenas a constância, mas também a banalização dessa violência, que muitas vezes acontece dentro de casa, por parceiros ou pessoas próximas.


Mais de 60% dessas mortes ocorreram com armas de fogo, o que revela o alto grau de letalidade envolvido e a facilidade com que esses crimes são cometidos. Para especialistas, os dados escancaram uma crise nacional de segurança pública com forte viés de gênero.


Mulheres negras são as principais vítimas


O Atlas da Violência aponta ainda um dado alarmante: as mulheres negras representam cerca de 67% das vítimas de feminicídio no Brasil. Isso reforça a urgência de políticas públicas interseccionais, que considerem não apenas o gênero, mas também o racismo estrutural como fator agravante da violência.


Essa realidade evidencia que mulheres negras estão em maior situação de vulnerabilidade, seja pela desigualdade econômica, menor acesso à justiça ou pela invisibilidade social.


A violência não é apenas física


O relatório também destaca que os homicídios são apenas a face mais visível da violência contra a mulher. Milhares vivem sob ameaças constantes, agressões físicas, psicológicas, abusos sexuais e perseguições — muitas vezes sem conseguir denunciar, por medo ou falta de apoio.


Segundo o mesmo estudo, os registros de violência doméstica e tentativa de feminicídio continuam crescendo, o que mostra que o problema vai muito além dos números fatais. Trata-se de uma estrutura de violência sustentada por silêncio, impunidade e naturalização do machismo.


O papel do Estado e da sociedade


Diante de estatísticas tão impactantes, é impossível não refletir: o que estamos fazendo para proteger as mulheres?


A criação de leis como a Lei Maria da Penha e a recente Lei 14.994/2024, que torna o feminicídio um crime autônomo, representam avanços importantes. No entanto, ainda faltam investimentos consistentes em educação, proteção, acolhimento e fiscalização.


Além disso, é essencial ampliar o acesso das mulheres à informação, à justiça e aos mecanismos de denúncia — especialmente em regiões periféricas, rurais e entre populações marginalizadas.


Não são números — são vidas


Cada dado apresentado no Atlas representa uma mulher que teve sua vida interrompida de forma brutal. Mães, filhas, amigas, profissionais — histórias que foram apagadas pela violência.


Reconhecer a gravidade do problema é o primeiro passo para enfrentá-lo. E isso exige não só ações do poder público, mas também uma mudança cultural urgente na forma como a sociedade encara o papel da mulher e a violência que a cerca.



Compartilhar é também resistir

Divulgar informações como essas é essencial para conscientizar e pressionar por mudanças. Que este número — quase 50 mil vidas perdidas — não seja apenas estatística, mas um chamado à ação por justiça, igualdade e segurança para todas as mulheres.

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